O DIR me afetou e isso não é surpresa. Quando me aprofundei na pesquisa sobre o modelo durante meu processo de escrita de dissertação do mestrado, foram me acontecendo pequenas "constatações", dessas que provocavam pausas, conectavam várias ideias, pensamentos e memórias, e nos faziam suspirar e, entender cada vez mais o caminho do sentido...
Numa noite dessas, nas trocas com Patricia Piacentini, quem trouxe o modelo para o Brasil, com quem realizei todo meu processo formativo no modelo e com quem trabalho atualmente, eu disse:
"Faz parte de tudo que se expande, faz parte de tudo que alcança uma grande amplitude. A gente não quer ter controle sobre o DIR e nem vamos, e quem pensa isso vai se frustrar muito. Porque desde o primeiro momento eu já entendi: não é sobre ter controle, igual algumas pessoas acham que é possível. Não tem como controlar. Agora, tem como a gente se garantir... se garantir naquilo que a gente acredita, na qualidade que a gente quer, na ética que a gente defende. A gente se garante nesse aspecto. Então estamos vinculados ao ICDL, que é um lugar que tem esse tipo de operação, ele opera de uma forma que tem outras sustentações, outras bases, outros compromissos, enfim. E aí a gente vai ocupar esse lugar, entendeu? Então quem tiver o interesse em uma formação séria, ética, cuidadora, científica, respaldada, sustentada, vai pro ICDL. Quem não quer, vai para outro lugar. E é assim, e a vida é assim. Eu acho que nesse primeiro momento é mesmo impactante essa coisa de uma outra pessoa trazendo uma nova visão, mas isso, de fato, para quem tem essa visualização — como você sempre diz, a big picture da situação, vê todo da situação — já entendi que o DIR é muito maior do que uma instituição, o DIR é muito maior do que uma pessoa, é muito maior do que qualquer um de nós, sabe? Então não tem controle sobre isso. Ele vai vir de várias frentes, de vários modos, e a gente vai se sustentar no DIR que a gente acredita.
E eu sempre acreditei em um tamanho que é imensurável. Eu percebi isso durante a minha pesquisa, que eu li muita coisa. E eu vi: “meu Deus, isso aqui é gigante. É gigantesco.” Não tem como ter domínio sobre isso, segurar… a gente não segura nada. A gente, como eu falei, segura a nossa perspectiva sobre esse modelo, que é muito abrangente, é muito complexo. A gente segura a nossa perspectiva sobre o modelo! Mas não garantimos nada, nem queremos — inclusive, nem queremos. A gente quer fazer um bom trabalho e pronto. Mas, assim, todo mundo que entra em contato profundo com o DIR, olha para ele e fala: “meu Deus, isso seria pretensioso demais”. Querer manter também só sob nosso comando, sob nosso domínio, enfim, é muita pretensão, porque o DIR é muito grande, é muito fundamentado, é pesquisa de muitos anos, não tem como, essa coisa ela escorre, ela escorre, por si só, é um modelo expansivo. E aí ele é, inclusive, rico desde quando foi formado, estudado e criado até agora, como ele também é rico em transformações, possibilidades. Muita coisa pode sair ainda do DIR, muitas abordagens, outras podem surgir... Enfim, é incontrolável.
O DIR é um rio que vai transbordando, vai perpassando, vai atravessando… E aí a gente vai encontrar qual é o nosso riachinho, de onde esse rio passa, e qual vai ser a nossa lagoa, onde esse rio vai se desaguar e a gente vai ter nossa lagoa. Existem lagoas muito profundas, existem lagoas mais rasas, existem lagoas que secam, existem lagoas que ficam… enfim. Mas o DIR é um rio. Eu penso assim.
Eu vejo que essas ações, essas situações são coisas que se repetem. É como se opera tudo que se expande. É assim, é assim."
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